quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A chupeta agridoce

Aqui há 30 anos atrás nos Açores não havia luz eléctrica. Nalgumas casas era costume guardar-se o sal e o açúcar em copos, assim como a manteiga e o queijo num prato dentro de um armário com portas de rede para um melhor arejamento.

Foi numa dessas casas açorianas que se passou esta história verídica.

A mulher do meu primo teve que ir a um retiro na igreja da freguesia e só regressaria no dia seguinte. Indicou assim ao marido todos os cuidados a ter com o bebé enquanto estivesse ausente, entre os quais, o sítio onde estavam os panos (que naquele tempo serviam de fraldas), ter em atenção a temperatura do leite do biberão e, se o bebé chorasse, molhar a chupeta no copo do açúcar que era remédio santo.

Foi então a esposa do meu primo para o seu retiro e ficou este a fazer as tarefas domésticas.

No dia seguinte chega a mulher a casa e encontra o meu primo com ar desesperado com o choro aflitivo do bebé que durara toda a noite sem qualquer remédio. O meu primo explicou que nunca dormiu, nem ele nem o pequeno, que fez tudo certo, que jurava que não percebia o que se passava e que até lhe dera várias vezes a chucha coberta de carradas de açúcar. E abriu o armário para mostrar o copo quase vazio.

Foi quando a mulher do meu primo pôs as mãos à cabeça ao perceber que o bebé tinha passado toda a noite a chorar porque o copo do sal é que estava meio vazio!

Por: Símbolos Animados dos Açores
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