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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O Chapéu Coroa



A filha pequena da minha prima, a Daisy, tinha vivido sempre em países diferentes derivado ao pai ser militar americano. Várias vezes por ano vinha ao Açores ver os avós nas férias ou noutras alturas em que havia interrupção de aulas lá na base onde vivia.

Como se compreende, o seu conhecimento da cultura açoriana era limitado até porque nos poucos dias que passava cá nas ilhas ficava em grande parte a ver desenhos animados em inglês.

Na mesinha junto ao televisor os avós tinham colocado em exposição a coroa do Espírito Santo que andava, como é habitual, de casa em casa durante o período de uma semana.

Certo dia em que resolveram passear, deram com uma procissão numa certa freguesia. Decidiram parar durante algum tempo para que a miúda tivesse um pouco mais de contacto com as tradições locais.

Depois de alguns minutos a observar a coroação com as pessoas a usar as respectivas coroas na cabeça, a filha pequena da minha prima faz este comentário:

- Avó, olha um chapéu igual ao que tens em casa!

De: Júlio Silva - Ilha Terceira Net
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A Rainha-Avó


Esta história necessita de uma breve introdução às Festas do Espírito Santo que é um culto comum a todas as ilhas dos Açores e das comunidades de emigrantes açorianos. O Espírito Santo tem basicamente duas representações: uma pomba branca ou uma coroa de prata ou de casquinha (ver imagem). As coroas são expostas num altar em casa de uma família durante uma determinada semana. No Domingo seguinte acontece a Missa da Coroação e depois as coroas são levadas na cabeça dos “coroados” para a casa de outro devoto numa procissão lenta seguida da filarmónica local. Segue-se um almoço (a que se chama “função”) aos convidados presentes.

Como já sabem da história “O Pai Natal tudo sabe”, a minha prima é casada com um militar americano e tem uma filha de 4 anos chamada Daisy. Estão condicionados a viver em diferentes bases americanas espalhadas pelo mundo por períodos de 2 a 3 anos em cada uma.

A Daisy, como é evidente, não está por dentro dos costumes dos avós que vivem nos Açores. O que ela sabe mais é de bonecas, fadas, princesas e rainhas.

Acontece que numa das visitas aos avós estavam estes com a Coroa em casa. Algum tempo depois de estar a brincar na sala onde estava a coroa, a Daisy vira-se para a avó e pergunta-lhe:

- Porque é que a avó quer uma coroa se nunca a usa?


De: Júlio Silva - Ilha Terceira Net

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